É um trecho do excelente Dostoiévski na rua do Ouvidor, de Bruno Barreto Gomide. O que me faz matutar aqui com meus botões: não vi um único clássico no Enem desse ano. Vi bobagens cotidianas, o dialeto dos travestis, uma croniqueta sobre lésbicas, coisas cotidianas, mas nada de Literatura de Verdade, com L e V maiúsculos.
Acontece que nossos jovens não leem. Não leem porque seus pais não leem. Não leem porque seus professores não leem. São puro reflexo da imbecilização da educação – e de sua facilidade pois faculdade é a coisa mais fácil do mundo, eu sei, eu fiz uma e trabalhei em várias. Tive colegas, no mestrado, professores da rede pública, que morriam se tivessem de ler o que lhes era exigido. Em compensação, tive alunos que, ainda que tenham me xingado horrores, acabaram lendo Dostoiévski [um ou outro confessaram que acabaram gostando].
Pois é, la decadence mademoiselle. Nos anos 1930 um aluno de seus 17 anos tinha de conhecer tudo isso aí de cima para entrar numa faculdade. Hoje uma postagem de mais de sete linhas no Facebook é o horror dos horrores.
Faculdade não é para todo mundo. Como escreveu Paulo Francis, serve para criar elites e não para dar diploma para pé-rapado intelectual.
