FULTON SHEEN, O COMUNISMO E A DEBILIDADE OCIDENTAL

LOGO NA SEGUNDA página do Prefácio deste Vida de Cristo, Fulton Sheen escreve uma das mais belas e fortes passagens que já li, e que cabe como uma luva feita sob medida para as brigas políticas a que temos assistido hoje, brigas que fazem católicos perderem seu catolicismo em nome da política. Os seguintes parágrafos sintetizam tudo o que estamos vendo no comportamento dos ditos “católicos conservadores tradicionalistas” [os itálicos são meus]:

FULTON SHEEN“Odiar o pecado, amar pecadores; condenar o comunismo, amar os comunistasrejeitar a heresia e amar os heréticos; receber os errados de volta no tesouro de Seu coração, mas jamais o erro no tesouro de Sua sabedoria; perdoar pecadores a quem a sociedade já condenou, mas ser intolerante com aqueles que pecaram e não foram descobertos; Ele reservou sua explosões mais acerbas para aqueles que eram pecadores e negavam o pecado, que eram culpados e diziam ter apenas um complexo. Então, aquele que chora em silêncio na presença do pranto humano e de um sepulcro aberto deu passagem a explosões irrestritas de luto, conforme Ele contemplava a morte e a derrocada daqueles que têm um câncer moral e se recusam a usar o remédio que Ele comprou com um preço mais alto do que o sangue de touros e bodes.
O mundo moderno nega a culpa pessoal e admite apenas os crimes sociais, não há lugar para o arrependimento pessoal, mas apenas para reformas públicas, Cristo foi separado de Sua cruz; o noivo e a noiva foram apartados. O que Deus uniu, os homens separaram. Como resultado, à esquerda está a cruz; à direita, o Cristo. Cada um tem esperado novos parceiros que os tomará num tipo de segunda união adúltera. Surge o comunismo e toma a cruz sem significado; a civilização ocidental pós-cristã escolhe o Cristo incólume.
O comunismo escolheu a cruz no sentido de que trouxe de volta a um mundo egoísta um senso de disciplina, abnegação, rendição, trabalho duro, estudo e dedicação a objetivos supraindividuais. Mas a cruz sem Cristo é sacrifício sem amor. Consequentemente, o comunismo produziu uma sociedade autoritária, cruel, opressora da liberdade humana, repleta de campos de concentração, pelotões de extermínio e lavagens cerebrais.
A civilização ocidental pós-cristã tomou o Cristo sem a cruz. Mas um Cristo sem um sacrifício que reconcilia o mundo com Deus é um pregador itinerante barato, feminizado, sem cor, que merece ser popular por Seu grande Sermão da Montanha, mas também merece a impopularidade pelo que disse sobre Sua divindade, de um lado, e sobre divórcio, juízo e inferno do outro. Este Cristo sentimental é um mosaico de milhares de lugares-comuns, sustentados às vezes por etimologistas acadêmicos incapazes de ver a Palavra pelas letras, ou distorcido além do reconhecimento pessoal por um princípio dogmático de que algo que é Divino deve ser necessariamente um mito. Sem cruz, Ele não se torna nada senão um precursor provocante da democracia ou um humanista que ensinava a fraternidade sem lágrimas.
O problema agora é: será que a cruz, que o comunismo tomou em suas mãos, encontrará o Cristo antes que o Cristo sentimental do mundo ocidental encontre a cruz? É nossa convicção que a Rússia encontrará o Cristo antes que o mundo ocidental reúna Cristo com sua cruz redentora.”
O livro é de 1958, no fogo mais quente da Guerra Fria. Duas observações: uma, que os tais conservadores conseguirem recriar o clima da Guerra Fria, recusando-se a perceber que ela está encerrada, morta e sepultada. Duas, o último parágrafo me parece uma profecia.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s