SANTO AGOSTINHO, UMA BIOGRAFIA

Tenho uma memória afetiva de Santo Agostinho de Hipona. Estudei no Colégio Santo Agostinho entre a 5ª série e o 3º colegial e fiz amizades que perduram e sobrevivem a esses mais de 30 anos. Professores que lembro: Nikolai Sorokin, falecido há poucos dias, de física [“sou cidadão soviético!”, disse uma vez]; Faro, de história [marxista]; Waldir e Nelly, de português e literatura [Nelly, mãe do Marcos, amigo presente]. E os padres, claro: pe. Miguel santo agostinhoLucas, diretor; pe. Luna, parapsicólogo; pe. Chiquinho, o terror [castigava os alunos mandando-nos copiar o Hino Nacional; a pena dobrava a cada escorregadela; meu recorde foram 48 cópias, a mão, um doce, eu era um doce]. Mas a memória afetiva vai além: conheci um pouco da vida de Santo Agostinho graças a uma peça que era encenada todos os anos, insistentemente, e escrita por um dos padres, já não lembro qual. A peça era ruim. Mas soube ali de sua relação amorosa, de seu paganismo, de seu filho, de sua mãe, Mônica, de sua fuga para Roma, de sua conversão, de seu bispado em Hipona. Um dia encontrei as Confissões numa edição da coleção Os Pensadores, aquela azul e grandona, de 1973. Tinha essa coleção completa; meu pai, que trabalhava na Abril, levava os livros para casa. Não lembro quantos anos eu tinha quando resolvi enfrentar o livro; era muito jovem, jovem demais para entender alguma coisa. O que lembro é que ia lendo e procurava um padre [Miguel Lucas?] para ver se eu entendia aquele negócio. Paciente, ele explicava alguma coisa; desisti da leitura, pedreira demais para um molecote. Fui ler as Confissões só depois da faculdade, já com meus 23 anos, por aí.

De modo que esse Santo Agostinho, uma biografia, de Peter Brown é quase um reencontro. Essa edição é uma reimpressão da primeira, de 2003, por aí, a partir da terceira edição inglesa. O Autor deixa claro que não fez alterações profundas no seu estudo desde a primeira versão dos anos 1960 — e que muita água rolou sob a ponte dos estudos agostinianos desde então, muitos manuscritos foram encontrados, muitos dados novos revelados, muitas teses escritas com outras interpretações; mas seu livro tem o valor de ser um monumento relativo a um homem [um Santo] que marcou o término do Império Romano e iniciou o que conhecemos por Idade Média, de modo que Santo Agostinho é representativo de um tipo de inteligência que mescla todo o saber dos antigos latinos [Agostinho não lia grego; sua tradução da Bíblia foi feita por solicitação a São Jerônimo, e se tornou clássica ainda hoje], literatura inclusive e principalmente, com aquilo que se tornará a tradição cristã até nossos dias.

Peter Brown nos leva a conhecer Aurélio Agostinho desde a sua infância em Tagaste, África, onde nasceu em 354. Filho de uma devota cristã, Mônica, e de um pai pagão, que pretendia que seu filho seguisse a trilha do conhecimento intelectual, única forma de conseguir algum destaque numa sociedade marcada pelo favoritismos das grandes famílias imperiais. Os casamentos mistos eram comuns na sociedade africana, ainda que existissem conflitos não tanto com os pagãos [a depender apenas da postura do Imperador, mas à época de Agostinho as lutas internas contra o cristianismo já haviam esmaecido], mas com os maniqueus — seita que defendia a duplicidade do espírito e que o agente do Mal fora o criador da carne e do mundo, enquanto Deus, puro e Bom, fora o criador apenas das coisas elevadas, do espírito etc. Essa é uma disputa da qual Agostinho participará ativamente ainda bastante jovem [17 anos], quando viaja para Cartago a fim de estudar retórica, área que lhe garantiria acesso à profissão das leis e ao estudo da filosofia. Torna-se maniqueu, relaciona-se com uma mulher de condição social inferior, tomando-a por concubina, convive com ela, tem um filho. Não vou detalhar todas as ações de sua vida, mas apenas que o conflito com sua mãe era constante e ela insistia em que ele se convertesse ao catolicismo e abandonasse as ideias hereges, assim como abandonasse a sua mulher e se casasse com alguém que fosse digna. Relacionamentos como o de Agostinho eram comuns: tomar uma mulher “inferior” e conviver com ela para depois deixá-la para assumir um casamento “digno” era comum [assim como mandar a primeira mulher para longe, para que não se tornasse um incômodo; além disso, o homem era considerado solteiro após a separação, enquanto que a mulher abandonada não podia casar-se novamente].

Agostinho queria dedicar-se aos estudos: tinha uma visão de filosofia que exigia o recolhimento e afastamento da sociedade, graças às leituras de Sêneca. Nas Cartas a Lucílio, Sêneca tenta a todo o custo convencer seu jovem correspondente a abandonar a vida política no Senado romano e recolher-se numa quinta para se dedicar apenas à filosofia e evitar a multidão, ocupando o tempo com coisas realmente úteis. Há um trecho de Sêneca que resume bem esse espírito:

“Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente. Podes indicar-me alguém que dê o justo valor ao tempo aproveite bem o seu dia e pense que diariamente morre um pouco? É um erro imaginar que a morte está à nossa frente: grande parte dela já pertence ao passado, toda a nossa vida pretérita é já do domínio da morte!”

Brown não cita esse trecho em especial, mas a ideia de que tudo flui e se esvai, tudo fenece, tudo é inútil, tudo tem um fim é uma marca do jovem Agostinho. O maniqueísmo não oferece as respostas a esse drama, apenas mergulha o homem ainda mais em sua condição perecível e na consciência de finitude. O resultado é a angústia. Pois que Aurélio Agostinho é um jovem angustiado, sedento por saber, necessitado de um fundamento que justifique a sua vida. Viver, afinal, é aproveitar cada momento, mas esse hedonismo acaba por se revelar insuficiente e ainda mais frustrante. Sua fuga para Roma [parte à noite, deixando sua mãe — que pretendia segui-lo para onde fosse, uma mãe dominadora], em busca de uma carreira, tem esse duplo motivo: encontrar um sistema filosófico que lhe seja suficiente e encontrar um estilo de vida civilizado que a África não pode oferecer.

É em Roma que ele encontra a obra de Plotino, filósofo neoplatônico e autor das Enéadas. Plotino é o passo fundamental para Agostinho se aproximar do conceito de um Deus único indivisível: é a ideia de Uno de Plotino que faz com que se afaste do maniqueísmo e sua dualidade da Natureza e encare as falhas desse conceito. Não por acaso ainda hoje encontramos historiadores da filosofia e analistas que veem em Agostinho apenas um filósofo que adaptou o platonismo e seu mundo imanente ao cristianismo via Plotino, assim como o fazem com Tomás de Aquino em relação a Aristóteles. Não é verdade, claro, e é um reducionismo teórico que visa a facilitar o entendimento de suas obras: Agostinho, ao encontrar o conceito de Uno, ao mesmo tempo que toma contato com o bispo de Roma, Ambrósio, e seus sermões moralistas, abre sua visão de mundo e compreende que aquilo que ele buscava na filosofia só poderia ser explicado a contento pelo cristianismo católico. Há a história de sua conversão segundo a qual estava entediado no quintal de sua casa quando escuta uma criança cantar “toma e lê, tome e lê”; ao que ele toma o livro sobre a mesa ali ao lado e abre na Epístola de Paulo aos Romanos [13: 13-14: “Andemos honestamente como de dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não vos preocupeis com a carne para não excitardes as suas cobiças”]. É sua conversão.

Essa a marca que leva Agostinho a um novo caminho — o da base filosófica e da obra de Deus, abandonando sua concubina e formando um pequeno grupo de amigos para trilharem esse caminho. Atinge assim um objetivo, o do recolhimento e do estudo, ou pelo menos é o que esperava. Sua inteligência e sua capacidade retórica imediatamente o levam a enfrentar uma série de polêmicas: inicialmente contra os maniqueus, condenando suas ideias; depois contra os seguidores de Pleágio, que acreditavam que o homem é o único responsável pela salvação, não dando lugar para a Graça de Deus, além de negar a ideia de pecado original; contra os Acadêmicos, que buscam apenas no conhecimento humano a possibilidade de encontrar a verdade. Agostinho torna-se o fundador de uma doutrina e dos dogmas que são a base da Igreja até hoje.

Agostinho foi mais do que um doutrinador e mais do que um pensador cristão. Os seus textos sobre a Trindade [De trinitate], sobre a Virgem Maria, sobre os cuidados cotidianos dos cristãos [O cuidado devido aos mortos; O mestre; O livre-arbítrio; A doutrina cristã; A primeira catequese etc.], seus comentários sobre os Salmos [três volumes na edição brasileira, pela editora Paulus] são uma catedral erguida para o louvor a Cristo. No entanto, sua obra vai ainda além do caráter doutrinário. A base sempre será o cristianismo, é certo, mas Agostinho lança uma nova forma de explicar o mundo e o modo como o homem nele se insere: está preocupado com os desejos, com o vir-a-ser, com a busca do homem por um sentido, com a permanência e o localizar-se num mundo difícil e muitas vezes cruel. Abre perspectivas de interpretações diversas das ações humanas, justificando a guerra contra os hereges, e chegou a defender a purgação pelo fogo — algo que irá, séculos mais tarde, redundar nos processos inquisitoriais. Mais do que isso: Agostinho foi um psicólogo que tentou compreender o homem em seu meio, seus desejos, angústias, espantos.

É nesse núcleo psicológico que Agostinho mergulha quando escreve suas Confissões, um retrato que pretende ser realista, uma autobiografia de sua conversão. Porém as Confissões vão além disso: é um relato que esmiuça as menores ações e encontra uma raiz do Mal no simples ato de roubar peras do quintal do vizinho. O livro foi escrito para ser um exemplo, como aquelas histórias inseridas nos sermões medievais para que a palavra bíblica se aproximasse da experiência do fiel. Um exemplo, mas exemplo de erros a serem evitados, das dificuldades encontradas no caminho reto da justiça, dos desvios quase inevitáveis que um homem convertido encontra, dos dilemas morais de um passado que, ainda que haja arrependimento, está presente a todo o momento para nos lembrar da fragilidade e pequenez de nossa fé. E um exemplo maior: o da Esperança que, junto com a Fé e a Caridade, formam essa trindade de Virtudes Teologais que alcançamos apenas e tão-somente pela Graça.

A biografia trata cada obra de Agostinho de Hipona, explicitando a sua forma, o tempo de sua escrita, os principais conceitos, as fontes da tradição filosófica às quais são devedoras. Esmiuçar aqui, nessas breves notas, cada um dos capítulos é excessivo e escapa da minha intenção, que é apenas a de apresentar um livro para possíveis leitores. Não posso, no entanto, deixar de lado uma reflexão sobre A cidade de Deus, obra capital na produção agostiniana e para todo o Ocidente. Somos frutos diretos da concepção do Santo de Hipona e nossa visão em busca da transcendência encontra-se toda ali, explicada, revelada, detalhada.

N’A cidade de Deus Agostinho parte do platonismo, isto é, da ideia de uma existência de uma realidade verdadeira superior, fixa e imóvel, perfeita, que é espelhada de modo imperfeito em nosso mundo. Se para Platão o Mundo Imanente [ou das Ideias] é a perfeição, esse nosso mundo em que estamos atolados não passa de uma sombra, uma cópia malfeita da perfeição ideal. Um mundo de sombras que facilmente nos engana, já que não temos naturalmente a percepção do que é perfeito — do Bom, do Belo e do Verdadeiro, para usarmos os conceitos de Platão. No cristianismo esse espelhamento imperfeito, ou negativo, se dá por não termos a Graça e escaparmos da obediência aos mandamentos de Deus e daquilo que Jesus nos ensinou. Estamos presos num mundo que por si só é sem esperança e obscuro. No entanto, mesmo dessa imperfeição é possível se extrair exemplos e ensinamentos: basta saber olhar para o mundo e perceberemos que nele há maravilhas que revelam a Verdade divina e Sua vontade. O mundo é, diz Agostinho, um livro a ser interpretado — e nesse mundo, criado pela Vontade de Deus, tudo é possível.

Um dos rumos para a compreensão da Cidade Celestial, a Jerusalém Celeste prometida aos escolhidos, no livro do Apocalipse, é saber olhar para o nosso redor e nele encontrar sinais que são a revelação da Vontade Divina. Na Natureza tudo é possível, e por essa razão Agostinho acredita na existência de seres fabulosos: centauros, quimeras, unicórnios, atrópodes, melusinas, salamandras, como descritos por Plínio o Velho em sua História natural. A existência de monstros é possível, afirma, na medida em que eles servem para ressaltar a beleza da criação divina; e mais: as aberrações são permitidas para que se eleve a correção; o Mal existe para que se abrace o Bem. Assim, o Mal não existe em si e por si, mas relativo apenas à supremacia do Bem. Agostinho vai além: o Mal não passa da ausência do Bem em determinado momento, como a cegueira é um mal pela carência da visão, que é um bem por si mesmo. A natureza, assim, é passível de ser interpretada como a Bíblia — e em diversos e complementares níveis.

Aliás, Agostinho escreve aquilo que é um verdadeiro tratado de interpretação de texto. Defende que existem quatro níveis possíveis para se interpretar o texto bíblico. O primeiro é o literal, como vemos ainda hoje em muitas igrejas; o segundo, histórico, que depende do conhecimento da história do povo eleito, da sua escravidão primeiro sob os egípcios e depois sob Nabuconosor, da aparição dos profetas em seu momento etc. até a vinda de Cristo e Sua mensagem — para se compreender as profecias do Apocalipse e do fim dos tempos e a Salvação dos fiéis. O terceiro nível é simbólico, ou metafórico, de modo que um texto pode [e deve] ser lido não apenas em seu caráter literal: a mensagem de Cristo também é encontrada nas metáforas — ou principalmente como metáforas — a serem entendidas num exercício de exegese. O quarto nível, o mais complexo, é o teológico, que demanda estudo de todos os níveis anteriores, mais a filosofia e a teologia. A leitura da Bíblia, afirma, pode se dar em um único nível, mas isso é empobrecer seu sentido. A melhor forma de interpretação é utilizar dos quatro modos de leitura, de forma que se consiga compreender a fundo a mensagem oferecida pela Revelação. O que Agostinho [a essa altura já bispo de Hipona] faz é tomar a retórica que estudou nos autores antigos latinos e aprofundá-la para a realidade da cristandade.

Impossível tratar de todos os temas dessa biografia intelectual. As qualidades do livro são diversas, da clareza do estilo e profundidade da pesquisa à forma clara como Peter Brown explica os conceitos agostinianos. Santo Agostinho de Hipona é mais do o fundador de uma nova forma de pensar o Cristianismo e a Igreja: ele faz uma análise psicológica do homem e sua essência, compreendendo as suas dificuldades e limitações, ainda que carregue a ânsia de ser completo, o que é impossível. Para encerrar esses comentários, ressalto apenas mais um conceito agostiniano: o de tempo.

Afirma Agostinho que existem dois tempos: o tempo divino, simultâneo, e o tempo humano, linear. O tempo de Deus é simultâneo porque para Deus não há passado ou futuro: Sua Onisciência reduz tudo a um agora constante e eterno, de modo que não há diferença entre passado, presente e futuro; Deus já sabe tudo — ele não prevê o porvir; o amanhã já acontece nesse exato instante. Como o homem é criatura de Deus, partilha com Ele algumas qualidades, assim como para Platão o nosso mundo sensível partilha de representações imperfeitas das Ideias. O homem é um ser inserido no tempo, mas de modo cronológico e sequencial. Ao homem não é dado conhecer o porvir; ao homem só é dado ter consciência do seu passado histórico e de seu presente; ao homem é dada também a vontade de ser [um vir-a-ser natural, construído pelas escolhas que fizemos] até um determinado fim que, se tudo feito a contento, visa à salvação. Deus encaminha o homem para a salvação por meio da palavra revelada, é certo, mas ainda assim o livre-arbítrio pode nos levar para diferentes caminhos.

A questão é que partilhamos com Deus a noção de tempo. Se não nos é possível viver no presente as experiências do passado, assim como não podemos presentificar aquilo que desejamos para nosso futuro, temos dois recursos que possibilitam essa experiência divina. Um é a memória — e é através dela que conseguimos reviver experiências, boas e más, do passado. Todos vivenciamos isso: um perfume sentido ao acaso, ou uma determinada música que escutamos, remete-nos a algum momento de nossa vida: um grande amor, por exemplo, ou a perda de um ente querido. O prazer ou a dor que sentimos não têm a mesma intensidade daqueles do momento vivido — mas sentimos uma alegria e uma tristeza bastante presentes. O mesmo se dá quando imaginamos um futuro possível: podemos sentir prazer com a expectativa de uma idealização profissional ou familiar, não importando se ela será frustrada ou efetiva. A nossa mente, a nossa inteligência, são capazes de nos oferecer essa mínima parcela do tempo divino. Acredito que a discussão sobre a temporalidade do homem é uma das chaves para toda a obra de Santo Agostinho.

A frase essencial do pensamento agostiniano é: intellige ut credas, crede ut intelliges, “creio para compreender, compreendo para crer”. A Fé não é ato gratuito nem sequer revelação divina gratuita; a Fé é exercício desse instrumento divino que é nossa inteligência. Toda a filosofia de Santo Agostinho é a busca incessante do uso da inteligência a serviço da Fé. Assim — Peter Brown demonstra nessa belíssima biografia —, Santo Agostinho de Hipona inaugura uma nova forma de pensar. É um filósofo moderno, no sentido absoluto da palavra “modernidade”.

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